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<channel><title><![CDATA[JOANA FOJO FERREIRA - Blog]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog]]></link><description><![CDATA[Blog]]></description><pubDate>Tue, 03 Feb 2026 01:18:44 +0000</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Um revisitar da assertividade]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/um-revisitar-da-assertividade]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/um-revisitar-da-assertividade#comments]]></comments><pubDate>Tue, 13 Sep 2022 22:48:15 GMT</pubDate><category><![CDATA[desenvolvimento pessoal e relacional]]></category><category><![CDATA[dificuldades relacionais]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/um-revisitar-da-assertividade</guid><description><![CDATA[       H&aacute; v&aacute;rios anos atr&aacute;s escrevi um texto sbre assertividade, salientando o lado expressivo dela, que se passeia entre a passividade e a agressividade. Escrevia eu:&ldquo;Se delinearmos uma linha com a passividade num extremo e a agressividade no outro, o comportamento assertivo passeia-se por esta linha, por vezes aproxima-se mais de um extremo, por vezes mais do outro, mas nunca chega a atingir nenhum dos polos, nem fica indefinidamente na mesma posi&ccedil;&atilde;o.O  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.joanafojoferreira.com/uploads/8/9/8/7/8987517/published/photo-by-emma-simpson-on-unsplash.jpg?1663109358" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><br />H&aacute; v&aacute;rios anos atr&aacute;s escrevi um texto sbre assertividade, salientando o lado expressivo dela, que se passeia entre a passividade e a agressividade. Escrevia eu:<br /><br />&ldquo;Se delinearmos uma linha com a passividade num extremo e a agressividade no outro, o comportamento assertivo passeia-se por esta linha, por vezes aproxima-se mais de um extremo, por vezes mais do outro, mas nunca chega a atingir nenhum dos polos, nem fica indefinidamente na mesma posi&ccedil;&atilde;o.<br /><span style="font-weight:normal">O que &eacute; que justifica a mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o na linha?</span><br />A situa&ccedil;&atilde;o.<br />A assertividade envolve expressar pensamentos, sentimentos e cren&ccedil;as de maneira directa, clara, honesta e apropriada ao contexto. Ou seja, num contexto tranquilo, sem grandes amea&ccedil;as &agrave; minha identidade, aos meus direitos, o comportamento adequado (assertivo) aproxima-se mais do polo da passividade, numa postura receptiva, de permiss&atilde;o da proximidade do outro, com as defesas em baixo; num contexto hostil, em que os meus direitos s&atilde;o amea&ccedil;ados e a minha identidade &eacute; desrespeitada, o comportamento adequado (igualmente assertivo porque de acordo com a situa&ccedil;&atilde;o) aproxima-se mais do polo da agressividade, em que as minhas defesas est&atilde;o alerta e coloco limites &agrave; proximidade do outro no sentido de me proteger.&rdquo;<br /><br />Continuo a achar esta clarifica&ccedil;&atilde;o importante, mas gostava de acrescentar tamb&eacute;m uma dimens&atilde;o mais reflexiva/introspetiva da assertividade, cuja import&acirc;ncia se tem salientado para mim nos &uacute;ltimos anos.<br /><br />Ou seja, para que eu me posso expressar de forma assertiva, preciso primeiro identificar as minhas reac&ccedil;&otilde;es emocionais e as minhas necessidades por detr&aacute;s delas. E para mim, este trabalho interno de reconhecimento/awareness faz necessariamente parte da postura assertiva, come&ccedil;a ali de certa forma.<br /><br />Ent&atilde;o, enquanto terapeuta, se um dos objetivos com determinado paciente &eacute; ajud&aacute;-lo a desenvolver a capacidade de se afirmar e ser mais assertivo, eu come&ccedil;o impreterivelmente por ajud&aacute;-lo a reconhecer o seu mundo interior, as suas necessidades &ndash; o que &eacute; que o ativa? A que &eacute; que reage? Onde e como &eacute; que determinadas situa&ccedil;&otilde;es lhe tocam? Que necessidades fundamentais n&atilde;o est&atilde;o a ser e precisam ser satisfeitas/cuidadas?&hellip;<br /><br />E &eacute; este trabalho interno que viabiliza posteriormente o expressar-se assertivamente. A capacidade de se afirmar come&ccedil;a por dentro, por encontrar a pr&oacute;pria voz, por aquilo que eu gosto de chamar, inspirada no Carl Rogers, apessoar-se, tornar-se pessoa.<br /><br />E o treino da assertividade (a parte expressiva) de forma precipitada, sem este reconhecimento interno, &eacute; arriscado, corre o risco de ser vazio, n&atilde;o ter sustenta&ccedil;&atilde;o, e portanto nem ter capacidade de perdurar no tempo, perder-se facilmente, nem ser verdadeiramente assertivo, porque n&atilde;o se digeriu, n&atilde;o se mastigou internamente o que &eacute; que eu identifico precisar e o que &eacute; que eu intuo que s&atilde;o tamb&eacute;m as reac&ccedil;&otilde;es emocionais e necessidades do outro por detr&aacute;s do comportamento que me incomodou.<br /><br />A assertividade precisa crescer de dentro para fora e abra&ccedil;ar este cont&iacute;nuo de se ir expressando para fora, voltando sempre ao dentro para se fortalecer e quando necess&aacute;rio se reposicionar.<br /><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ser ecologista, fácil ou difícil?]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/ser-ecologista-facil-ou-dificil]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/ser-ecologista-facil-ou-dificil#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:39:35 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/ser-ecologista-facil-ou-dificil</guid><description><![CDATA[       Cresci numa fam&iacute;lia ecologista. As preocupa&ccedil;&otilde;es com o planeta e a sustentabilidade ambiental sempre estiveram muito presentes na minha vida.Ainda assim, com todos os movimentos recentes e o mediatismo do problema das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, dei por mim a questionar qu&atilde;o ecologista consigo ser na realidade, e confesso que a duvidar qu&atilde;o ecologistas conseguem ser muitas das pessoas que se manifestam a pedir mudan&ccedil;as governamentai [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-medium " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.joanafojoferreira.com/uploads/8/9/8/7/8987517/mg-2380_orig.jpg" alt="Imagem" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><br />Cresci numa fam&iacute;lia ecologista. As preocupa&ccedil;&otilde;es com o planeta e a sustentabilidade ambiental sempre estiveram muito presentes na minha vida.<br />Ainda assim, com todos os movimentos recentes e o mediatismo do problema das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, dei por mim a questionar qu&atilde;o ecologista consigo ser na realidade, e confesso que a duvidar qu&atilde;o ecologistas conseguem ser muitas das pessoas que se manifestam a pedir mudan&ccedil;as governamentais, por tamb&eacute;m elas se preocuparem com o tema.<br /><br /><br />A minha inquieta&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou com a Greta Thunberg a n&atilde;o andar de avi&atilde;o, por ser um forte poluidor do planeta, e eu dar-me conta que, se por um lado me esfor&ccedil;o por ter um estilo de vida minimalista, produzir menos lixo e reutilizar e reciclar ao m&aacute;ximo, e andar essencialmente a p&eacute;, de bicicleta ou de transportes p&uacute;blicos na cidade, n&atilde;o me sinto dispon&iacute;vel para abdicar de viajar pelo mundo e usar o avi&atilde;o como meio de transporte.<br />Ao mesmo tempo v&aacute;rios mi&uacute;dos nas escolas come&ccedil;aram a manifestar-se por mudan&ccedil;as governamentais, que eu acho &oacute;timo, mas n&atilde;o consegui deixar de me questionar - quantos destes mi&uacute;dos s&atilde;o levados de carro para a escola pelos pais, quantos percebem o contributo negativo disso mesmo, e quantos estariam dispon&iacute;veis para abdicar desse luxo?<br /><br /><br />A sensa&ccedil;&atilde;o que tenho &eacute; que a maioria de n&oacute;s (se n&atilde;o todos), daqueles mais conscientes e sensibilizados para a sustentabilidade ambiental, temos comportamentos sustent&aacute;veis e comportamentos insustent&aacute;veis, e se por um lado queremos ser o mais sustent&aacute;veis poss&iacute;vel, temos diferentes perce&ccedil;&otilde;es do poss&iacute;vel, e os nossos interesses pessoais tendem a falar muito alto.<br /><br /><br />Por outro lado, para complicar, temos mensagens de sustentabilidade paradoxais. No que &agrave; sustentabilidade do planeta diz respeito, para diminuirmos a pegada ecol&oacute;gica seria conveniente, por exemplo, n&atilde;o termos filhos; do ponto de vista da sustentabilidade do pa&iacute;s, conv&eacute;m t&ecirc;-los. E estes paradoxos s&atilde;o uma boa cama para os nossos mecanismos de disson&acirc;ncia cognitiva, em que acabamos a defender a ideia que nos d&aacute; mais jeito, que &eacute; mais coerente com os nossos desejos e necessidades pessoais.<br /><br /><br />Estive entretanto num workshop que gostei muito, sobre a interface entre a psicologia e as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, com a Janet Swim, e acalmei um pouco a minha inquieta&ccedil;&atilde;o sobre a possibilidade de fazermos verdadeiras mudan&ccedil;as no mundo. O desafio &eacute; enorme, essa perspetiva n&atilde;o mudou, mas, de forma muito simplista, s&oacute; em jeito de s&iacute;ntese &ndash; se tornarmos as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas uma realidade mais pr&oacute;xima; se conseguirmos perceber e mostrar a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, mas ao mesmo tempo proporcionar uma sensa&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia, atrav&eacute;s da capacidade de responder com mudan&ccedil;as locais; se estimularmos um esp&iacute;rito de trabalho e comunica&ccedil;&atilde;o sobre o tema na comunidade, para n&atilde;o nos restringirmos &agrave;s mudan&ccedil;as individuais, importantes mas de menor alcance; e se identificarmos e tornarmos acess&iacute;vel as mudan&ccedil;as f&aacute;ceis de fazer no dia-a-dia, com o cuidado de n&atilde;o deixar que essas pequenas mudan&ccedil;as nos fa&ccedil;am desresponsabilizar das maiores, mais dif&iacute;ceis mas fundamentais; ent&atilde;o sim &eacute; poss&iacute;vel aspirarmos a um mundo mais sustent&aacute;vel e sentirmos o orgulho de fazer parte dessa mudan&ccedil;a.<br /><br /><br />Eu apercebi-me no final do workshop, que se n&atilde;o me sinto dispon&iacute;vel para deixar de andar de avi&atilde;o, procuro escolher as minhas viagens de forma mais consciente, procurando pelo menos n&atilde;o abusar deste recurso que &eacute; t&atilde;o valioso para mim. E isso j&aacute; faz alguma diferen&ccedil;a.<br /><br /><em>(Post original de 03/12/2019)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[No trilho da Gestalt]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/no-trilho-da-gestalt]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/no-trilho-da-gestalt#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:37:15 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/no-trilho-da-gestalt</guid><description><![CDATA[H&aacute; j&aacute; quase um ano que iniciei a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Terapia Gestalt. Tem sido um percurso muito enriquecedor e achei que faria sentido partilhar convosco, de uma forma que espero simples, as ideias fundamentais e mais marcantes do que tenho aprendido.Talvez como pano de fundo esteja a ser transformador para mim experienciar o Contacto e o dar-me conta (Awareness). Como estes dois processos, interligados na realidade, s&atilde;o ferramentas important&iacute;ssimas [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">H&aacute; j&aacute; quase um ano que iniciei a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Terapia Gestalt. Tem sido um percurso muito enriquecedor e achei que faria sentido partilhar convosco, de uma forma que espero simples, as ideias fundamentais e mais marcantes do que tenho aprendido.<br /><br />Talvez como pano de fundo esteja a ser transformador para mim experienciar o <em>Contacto</em> e o dar-me conta (A<em>wareness</em><span>). Como estes dois processos, interligados na realidade, s&atilde;o ferramentas important&iacute;ssimas para n&oacute;s cl&iacute;nicos, que &eacute; fundamental desenvolvermos, e important&iacute;ssimas de promover nos pacientes, porque &eacute; na possibilidade de</span><span> </span><span>nos abrirmos ao contacto connosco pr&oacute;prios, com o mundo e com os outros, e nos permitirmos dar conta do que surge neste contacto, que abrimos a porta &agrave;s possibilidades de aceita&ccedil;&atilde;o e/</span><span>ou de</span><span> transforma&ccedil;&atilde;o possibilitadoras d</span><span>o</span><span> bem-estar </span><span>e </span><span>do </span><span>crescimento pessoal</span><span>.</span><br /><br /><span>A par destes dois processos, a</span><span>s</span><span> ideia</span><span>s</span><span> de auto-regula&ccedil;&atilde;o organ&iacute;smica e de ajustamento criativo </span><span>s&atilde;o</span><span> tamb&eacute;m muito aconchegante</span><span>s</span><span>, e reflete</span><span>m</span><span> a postura da Gestalt orientada para os recursos e para o potencial humano, no que eu gosto de pensar como um otimismo realista e mobilizador. </span><span>Estes dois conceitos o que dizem no fundo &eacute; que o nosso organismo</span><font><span> tem uma capacidade auto-reguladora, e se nos permitirmos simplesmente dar conta, permiti</span></font><font><span>ndo</span></font><font><span> que o organismo assuma o controlo sem a nossa interfer&ecirc;ncia, </span></font><font><span>permitimos que ele fa&ccedil;a os ajustamentos necess&aacute;rios para enquadrar a nova experi&ecirc;ncia ou a nova realidade. Quanto mais abertos ao novo estivermos, e menos procurarmos interromper a experi&ecirc;ncia com os nossos padr&otilde;es de funcionamento rigidificados, mais criativos e menos padronizados ser&atilde;o os ajustamentos que conseguiremos fazer.</span></font><br /><br /><font><span>T</span></font><font><span>enho descoberto que a </span></font><font><span>teoria da Terapia </span></font><font><span>Gestalt &eacute; um mundo muito vasto, est&aacute; cheia de ideias muito ricas, umas mais simples, outras mais complexas, </span></font><font><span>umas relativamente pass&iacute;veis de explanar verbalmente, outras que claramente necessitam da compreens&atilde;o vivida e sentida, </span></font><font><span>mas n&atilde;o querendo tornar este texto denso e complicado, j&aacute; que a minha inten&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m simplesmente introduzir alguns conceitos que t&ecirc;m sido importantes para mim de descobrir e experienciar, deixo-vos com uma &uacute;ltima ideia, a ideia de </span></font><font><em>Polaridades</em></font><font><span>, </span></font><font><span>e a forma integradora como a Gestalt as trabalha. </span></font><font><span>N&atilde;o &eacute; nova a ideia de que temos v&aacute;rios lados, e o</span></font><font><span> que a Terapia Gestalt defende &eacute; que somos uma sucess&atilde;o intermin&aacute;vel de polaridades, tendemos a aceitar determinadas caracter&iacute;sticas em n&oacute;s e rejeitar outras, muito de acordo com as nossas experi&ecirc;ncias de vida. E o que ela prop&otilde;e, </span></font><font><span>mais do que continuarmos a rigidificarmo-nos num polo rejeitando o outro,</span></font><font><span> &eacute; ultrapassarmos a dicotomia, resgatarmos os opostos menos presentes, mais rejeitados, </span></font><font><span>compreendendo que eles tamb&eacute;m t&ecirc;m coisas &uacute;teis a dar-nos e a dizer-nos. Neste resgate, </span></font><font><span>ativamos mais facilmente o processo de ajustamento criativo &ndash; aumenta</span></font><font><span>mos</span></font><font><span> o nosso auto-conceito com a integra&ccedil;&atilde;o dos opostos, que passam a</span></font><font><span>ssim a</span></font><font><span> complementares, passa</span></font><font><span>m</span></font><font><span> a ser mais um recurso, </span></font><font><span>e isto</span></font><font><span> permite que novas possibilidades surjam.</span></font><br /><br /><font><span>E</span></font><font><span>sta promo&ccedil;&atilde;o de fluidez organ&iacute;smica que a Terapia Gestalt procura, num cont&iacute;nuo de experi&ecirc;ncias &agrave;s quais nos vamos abrindo e permitindo estar e dar conta, &eacute; mesmo profundo e enriquecedor.<br /><br /><em>(Post original de 20/07/2017)</em></span></font><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Reconhecer e transformar ciclos interpessoais desadaptativos]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecer-e-transformar-ciclos-interpessoais-desadaptativos]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecer-e-transformar-ciclos-interpessoais-desadaptativos#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:35:14 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecer-e-transformar-ciclos-interpessoais-desadaptativos</guid><description><![CDATA[(Sobre o trabalho do Paul Wachtel)O Paul Wachtel &eacute;&nbsp;uma grande refer&ecirc;ncia no movimento integrativo em psicoterapia, que integra a abordagem psicodin&acirc;mica com a abordagem comportamental.&nbsp;J&aacute; tivemos o privil&eacute;gio de estar com ele algumas vezes e ele transmite sempre uma sensa&ccedil;&atilde;o de acolhimento que transparece tamb&eacute;m em sess&atilde;o com os pacientes.&nbsp;Uma das coisas que mais gostamos no Paul Wachtel &eacute; o extremo cuidado que el [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">(Sobre o trabalho do Paul Wachtel)<br /><br /><br />O Paul Wachtel &eacute;&nbsp;uma grande refer&ecirc;ncia no movimento integrativo em psicoterapia, que integra a abordagem psicodin&acirc;mica com a abordagem comportamental.<br />&nbsp;<br />J&aacute; tivemos o privil&eacute;gio de estar com ele algumas vezes e ele transmite sempre uma sensa&ccedil;&atilde;o de acolhimento que transparece tamb&eacute;m em sess&atilde;o com os pacientes.<br />&nbsp;<br />Uma das coisas que mais gostamos no Paul Wachtel &eacute; o extremo cuidado que ele tem no uso das palavras, preocupado em favorecer que os pacientes possam receber as suas interven&ccedil;&otilde;es de um modo transformador e n&atilde;o, pelo contr&aacute;rio, ativador das suas defesas.<br />&nbsp;<br />O Paul Wachtel desenvolveu tamb&eacute;m o modelo <em>Cyclical Psychodynamics</em>, integrando a perspectiva mais psicanal&iacute;tica da import&acirc;ncia das experi&ecirc;ncias precoces, com a compreens&atilde;o que as experi&ecirc;ncias s&atilde;o cumulativas e que o nosso desenvolvimento resulta de uma din&acirc;mica entre os dois tipos de experi&ecirc;ncias. &nbsp;A ideia &eacute; que cada pessoa tem um conjunto de intera&ccedil;&otilde;es na sua inf&acirc;ncia que determinam a forma como se relaciona consigo pr&oacute;pria e com os outros, e que estes padr&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o, por sua vez, favorecem que as pessoas que est&atilde;o &agrave; sua volta se comportem com o pr&oacute;prio &agrave; semelhan&ccedil;a das suas figuras de refer&ecirc;ncia. Desta forma, a pessoa acaba por acumular uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias negativas, que v&atilde;o refor&ccedil;ando os seus esquemas desadaptativos.<br />&nbsp;<br />&nbsp;Em termos terap&ecirc;uticos, o Paul Wachtel prop&otilde;e ajudar os pacientes a reconhecer estes padr&otilde;es e o seu contributo neles, e estimula os terapeutas a adoptarem um estilo de comunica&ccedil;&atilde;o que favore&ccedil;a o reconhecimento desses padr&otilde;es e a capacidade de os transformar em intera&ccedil;&otilde;es mais adapatativas.<br /><br /><em>(Post original de 22/05/2016, co-autoria com Andreia Santos)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A loucura da normalidade]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/a-loucura-da-normalidade]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/a-loucura-da-normalidade#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:33:36 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/a-loucura-da-normalidade</guid><description><![CDATA[Li recentemente &ldquo;A loucura da normalidade&rdquo; de Arno Gruen, que apresenta uma reflex&atilde;o interessante sobre uma suposta &ldquo;normalidade&rdquo; que &eacute; na realidade bastante &ldquo;louca&rdquo;, e uma suposta &ldquo;loucura&rdquo; muitas vezes bem mais saud&aacute;vel que a suposta &ldquo;normalidade&rdquo;.Deixo-vos algumas passagens:&ldquo;Fugimos, cada vez mais, do nosso deserto interior, do nosso vazio (&hellip;)Enquanto a cis&atilde;o ainda n&atilde;o se efetuou, reagi [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Li recentemente &ldquo;A loucura da normalidade&rdquo; de Arno Gruen, que apresenta uma reflex&atilde;o interessante sobre uma suposta &ldquo;normalidade&rdquo; que &eacute; na realidade bastante &ldquo;louca&rdquo;, e uma suposta &ldquo;loucura&rdquo; muitas vezes bem mais saud&aacute;vel que a suposta &ldquo;normalidade&rdquo;.<br /><br />Deixo-vos algumas passagens:<br /><br />&ldquo;<u>Fugimos, cada vez mais, do nosso deserto interior, do nosso vazio</u> (&hellip;)<br />Enquanto a cis&atilde;o ainda n&atilde;o se efetuou, reagimos ao que fazemos e ao que nos acontece com sensa&ccedil;&otilde;es de dor, desamparo, ou felicidade e curiosidade. Como fazem parte da nossa experi&ecirc;ncia de vida, essas rea&ccedil;&otilde;es s&atilde;o continuamente integradas na nossa psique e a&iacute; continuam a fazer o seu efeito. S&atilde;o elas que nos fornecem as energias criativas, uma vez que determinam a nossa recetividade em tudo que interfere connosco vindo de fora. Mas a criatividade diminui na medida em que menosprezamos tais sensa&ccedil;&otilde;es. Uma vez separados do nosso interior, reagimos apenas com ideias e conceitos obrigat&oacute;rios e pr&eacute;-fabricados. Daqui at&eacute; &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o em robot j&aacute; n&atilde;o falta muito.<br />Se a dor, a preocupa&ccedil;&atilde;o e a impot&ecirc;ncia s&atilde;o negadas por serem consideradas fraquezas, (&hellip;) o interior &eacute; neutralizado e desligado da engrenagem da vida di&aacute;ria. E, assim, o mundo interior afunda-se cada vez mais no inconsciente. Mas ele continua a ser o motor, mesmo que inc&oacute;gnito, do nosso modo de agir, pensar e sentir.<br />H&aacute;, portanto, dois estados mentais diametralmente opostos: <u>Onde o mundo interior &eacute; acess&iacute;vel, uma pessoa ser&aacute; capaz de reagir de uma forma criativa aos est&iacute;mulos externos</u>. Pode mesmo existir como mundo interior inconsciente, desde que seja recuper&aacute;vel. A vida interior &eacute; uma entidade muito flex&iacute;vel que tem uma grande capacidade de rea&ccedil;&atilde;o.<br />No tipo contr&aacute;rio &eacute; diferente: se o interior sens&iacute;vel estiver bloqueado, os contatos do indiv&iacute;duo com o mundo exterior deix&aacute;-lo-&atilde;o inalterado. Ou melhor: nem existir&aacute; um verdadeiro contato com o exterior. A medida do isolamento interior da&iacute; decorrente est&aacute; diretamente relacionada com o &oacute;dio de si pr&oacute;prio. Este &eacute; provocado pela participa&ccedil;&atilde;o ativa na sujei&ccedil;&atilde;o ao mando de uma &ldquo;realidade&rdquo; que exige a nega&ccedil;&atilde;o de sentimentos aut&oacute;nomos.<br />&hellip;<br />O recalcamento do desespero e do desequil&iacute;brio interior, ou seja, o afastamento do seu interior, caracteriza aquelas pessoas, das quais supomos estarem plenamente inseridas na realidade. Essa impress&atilde;o &eacute; causada pelo facto da nossa ideia de &ldquo;realidade&rdquo; estar feita &agrave; medida desse tipo de personalidade, o que leva a que tal ideia seja aparentemente confirmada as vezes que for preciso. Por isso, o poder de decidir sobre os nossos destinos costuma ser entregue justamente a esse tipo de gente, muito embora n&atilde;o esteja &agrave; altura de tal responsabilidade. Mas assim acontece tamb&eacute;m por essas pessoas encarnarem as nossas pr&oacute;prias fantasias de realismo e for&ccedil;a.<br />O tema deste livro &eacute;, por isso, a &iacute;ndole trai&ccedil;oeira de uma &ldquo;sa&uacute;de&rdquo; que oculta a falta de um verdadeiro Eu e que, ao mesmo tempo, serve de meio para fugir ao caos interior provocado por esse defeito. <u>A separa&ccedil;&atilde;o do interior impossibilita o desenvolvimento de um Eu aut&ecirc;ntico</u>.<br />&hellip;<br />S&atilde;o estas as pessoas que quero apresentar como as realmente loucas entre n&oacute;s.<br />P&otilde;em-nos todos em perigo, porque s&atilde;o incapazes de encarar de frente o caos, a raiva e o vazio que os preenchem.&rdquo;<br />&nbsp;<br /><br />A ideia que ressalta e que &eacute; preocupante, &eacute; que socialmente estamos a criar e favorecer robots, pessoas com funcionamento psicop&aacute;tico, desligadas da sua experi&ecirc;ncia interior, em nega&ccedil;&atilde;o do seu mundo interior, o que por sua vez favorece que se tornem insens&iacute;veis quer a si pr&oacute;prias quer aos outros.<br /><br />Mais preocupante ainda &eacute; de facto este funcionamento desconectado das emo&ccedil;&otilde;es e viv&ecirc;ncias internas estar a servir de modelo para a sa&uacute;de mental &ndash; quantas vezes o objetivo verbalizado de quem nos procura &eacute; &ldquo;ajude-me a deixar de sentir, isto &eacute; insuport&aacute;vel&rdquo; ou o objetivo dos familiares e amigos &eacute; &ldquo;ele/ela &eacute; demasiado sens&iacute;vel, cure-o/a desta sensibilidade, &eacute; intoler&aacute;vel&rdquo;.<br /><br />Enquanto rotularmos vulnerabilidade, tristeza, medo como fraquezas, e uma postura estoica e inabal&aacute;vel como for&ccedil;as, estamos condenados, vamo-nos destruindo aos poucos, perdendo o potencial humano e criativo para ideais mecanicistas e econ&oacute;micos que funcionam para n&uacute;meros e robots mas definham as pessoas.<br /><br />Assustador que seja permitirmo-nos sentir a tristeza, o medo, a dor,&hellip;, s&oacute; nesta reconex&atilde;o recuperamos o nosso potencial criativo e humano e podemos aspirar a uma verdadeira sa&uacute;de mental, um verdadeiro bem-estar, e um verdadeiro sentido de humanidade.<br /><br /><em>(Post original 26/11/2015)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[(Re)conheçamo-nos a nós próprios para melhor ajudarmos os outros]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecamo-nos-a-nos-proprios-para-melhor-ajudarmos-os-outros]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecamo-nos-a-nos-proprios-para-melhor-ajudarmos-os-outros#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:31:09 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/reconhecamo-nos-a-nos-proprios-para-melhor-ajudarmos-os-outros</guid><description><![CDATA[Tenho estado a ler o livro &ldquo;Succeding with Difficult Clientes: Applications of Cognitive Appraisal Therapy&rdquo; de Richard Wessler, Sheenah Hankin e Jonathan Stern, e deparei-me com uma s&eacute;rie de quest&otilde;es &uacute;teis de enquanto terapeutas nos colocarmos que me fez sentido partilhar convosco.Deixo-vos o excerto:&ldquo;All therapists who practice CAT [Cognitive Appraisal Therapy] must understand their own personotypic affects [familiar emotional experiences that provide a se [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Tenho estado a ler o livro &ldquo;Succeding with Difficult Clientes: Applications of Cognitive Appraisal Therapy&rdquo; de Richard Wessler, Sheenah Hankin e Jonathan Stern, e deparei-me com uma s&eacute;rie de quest&otilde;es &uacute;teis de enquanto terapeutas nos colocarmos que me fez sentido partilhar convosco.<br /><br />Deixo-vos o excerto:<br /><br />&ldquo;All therapists who practice CAT [Cognitive Appraisal Therapy] must understand their own personotypic affects [familiar emotional experiences that provide a sense of security] and emotional setpoints [nonconscious personal rules of living that prescribe how one should feel], especially as they influence interactions with difficult clients. Therapists should ask themselves the following questions to determine dominant personotypic affect and their own emotional setpoints:<br /><br /><ol><li>What was the emotional climate of my family when I was growing up? What do I remember about my father&rsquo;s and my mother&rsquo;s predominant emotions?</li><li>What was the emotional &ldquo;pitch&rdquo; or intensity level in my household? Quiet, loud, highly emotional, or unemotional? Which feelings usually were expressed (and felt) loudly and which usually were expressed (and felt) quietly? How did my family maintain its typical emotional pitch or intensity level?</li><li>In what ways do I emotionally resemble my father? My mother? How did I learn to be like each of them?</li><li>What familiar feelings do I remember as a child growing up? What was my own emotional pitch or intensity level like?</li><li>Was there something that I routinely did not get from my mother and/or father that I wanted, and how did that typically make me feel? Was there something that I routinely did get from my mother and/or father that I did not want, and how did that typically make me feel?</li><li>What feelings do I seem to return to when I feel stressed? What is their typical level of intensity?</li><li>Conversely, what feelings do I seem to return to after I feel really good, and what is their typical level of intensity?</li></ol><br />Once the therapist has a feel for his or her own personotypic affect and emotional setpoint, he or she should then identify typical justifying cognitions [beliefs produced to justify familiar emotional states] and security-seeking behaviors [actions that influence a person&rsquo;s social environment so that its responses prompt personotypic affects, restore the emotional setpoint, confirm one&rsquo;s personal rules, and thus evoke a sense of security], since they may well be played out in the therapy relationship by the therapist. Questions the therapist can ask of him/herself include:<br /><br /><ol><li>What do I typically think of myself, of what I do, and who I am? What are my typical thoughts about my role in life?</li><li>What do I typically think of others and the world in general? What do I think of how others treat me and of how I treat them?</li><li>Is there something that I always want from others but do not get? Is there something that I always get from others but do not want? What is my role in this?</li><li>What do I think of hard work and responsibility? Do I honestly enjoy working hard, resent it, or vacillate between the two?</li><li>What is my characteristic way of relating to others? Am I usually the dominant or submissive one; the friendly or withdrawn or angry one; the active or passive one? Is this consistent in relationships, in friendships, at work? If not, how much does this vary and how?</li></ol><br />Additionally, the therapist may find it helpful to identify how he or she was parented. This may give him or her insight into his or her personality style, as well as into how he or she might relate to the client. More specifically, does a client with a personality style similar to one&rsquo;s parent(s) more strongly activate the therapist&rsquo;s personotypic affect, justifying cognitions, and security-seeking behaviors? How does the therapist&rsquo;s own personality style, molded in part by how he or she was parented, affect the client?<br />Finally, given all of the above, the therapist should ask him/herself the following additional questions:<br /><br /><ol><li>What type of people in general do I find difficult or disagreeable, and why?</li><li>How do I typically react to and deal with such people? How do they react to me as a result?</li><li>How do I typically react to and deal with hostile&ndash;dominant people? How do they react to me as a result?</li></ol><br />Once the therapist has answered these questions, then he or she is ready to work with difficult clients, to see these clients as not particularly difficult to work with, after all, and to do CAT without overpersonalizing what clients say and do, without being ruled by shame, self-pity, and anger, and without being judgmental or blaming toward who clients are and what they do in therapy.&rdquo;<br /><br /><em>(Post original de 27/10/2015)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Trabalhar a fobia aos afetos]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/trabalhar-a-fobia-aos-afetos]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/trabalhar-a-fobia-aos-afetos#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 22:02:49 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/trabalhar-a-fobia-aos-afetos</guid><description><![CDATA[(sobre o trabalho da Leigh McCullough)A fobia aos afetos &eacute; um conceito introduzido pela Leigh McCullough e pela equipa de trabalho dela, no seguimento de se terem apercebido que muitos dos pacientes que nos aparecem em cl&iacute;nica t&ecirc;m muita dificuldade em aceder aos seus afetos/emo&ccedil;&otilde;es, e parecem muitas vezes evit&aacute;-los num registo semelhante a uma fobia.&nbsp;O que muitas vezes acontece &eacute; que, ao longo da nossa socializa&ccedil;&atilde;o, algumas das n [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">(sobre o trabalho da Leigh McCullough)<br /><br /><br /><span>A fobia aos afetos &eacute; um conceito introduzido pela Leigh McCullough e pela equipa de trabalho dela, no seguimento de se terem apercebido que muitos dos pacientes que nos aparecem em cl&iacute;nica t&ecirc;m muita dificuldade em aceder aos seus afetos/emo&ccedil;&otilde;es, e parecem muitas vezes evit&aacute;-los num registo semelhante a uma fobia.&nbsp;</span><br /><br /><span>O que muitas vezes acontece &eacute; que, ao longo da nossa socializa&ccedil;&atilde;o, algumas das nossas emo&ccedil;&otilde;es e necessidades centrais n&atilde;o foram acolhidas ou foram mesmo rejeitadas pelos nossos cuidadores. Esta situa&ccedil;&atilde;o cria tens&atilde;o e desconforto em situa&ccedil;&otilde;es que reativem estas emo&ccedil;&otilde;es, e naturalmente desenvolvemos defesas para impedir este contacto, mesmo na aus&ecirc;ncia de um contexto que o justifique.</span><br /><br /><br /><span>Em terapia, o que a Leigh McCullough faz &eacute; identificar o comportamento defensivo, perceber que emo&ccedil;&atilde;o ou afeto central &eacute; que ele est&aacute; a impedir de vivenciar, que sensa&ccedil;&otilde;es adversas &eacute; que contribu&iacute;ram para este evitamento, e em que contexto &eacute; que este evitamento se desenvolveu. Este trabalho &eacute; feito com tr&ecirc;s objetivos: reestruturar as defesas, reestruturar os afetos, e reestruturar a no&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;prio e dos outros.&nbsp;</span><br /><br /><span>&Agrave; semelhan&ccedil;a da Diana Fosha, tamb&eacute;m a Leigh McCullough se preocupa muito em acompanhar o comportamento n&atilde;o verbal dos pacientes, explicitando o que est&aacute; a ver, de forma a ajud&aacute;-los a tomarem consci&ecirc;ncia e aprofundarem a experi&ecirc;ncia de si pr&oacute;prios. Tem tamb&eacute;m muito o cuidado de ajudar os pacientes a compreender e abrir m&atilde;o das suas defesas, e aproveita a experi&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o para lhes proporcionar viverem as suas emo&ccedil;&otilde;es centrais e experimentarem, no espa&ccedil;o terap&ecirc;utico, aquilo a que n&atilde;o se conseguem exp&ocirc;r l&aacute; fora.&nbsp;</span><br /><br /><span>A conjuga&ccedil;&atilde;o destes aspetos torna o trabalho da Leigh McCullough uma excelente fonte de aprendizagem e reflex&atilde;o, que vale a pena conhecer.<br /><br /><em>(Post original de 17/10/2014, co-autoria com a Andreia Santos)</em></span><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Intervir com pacientes desafiantes]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/intervir-com-pacientes-desafiantes]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/intervir-com-pacientes-desafiantes#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 18:29:32 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/intervir-com-pacientes-desafiantes</guid><description><![CDATA[Ao longo do meu percurso profissional, tenho tido a oportunidade, e eu diria que o privil&eacute;gio, de trabalhar com pacientes com dificuldades mais estruturais, em que o seu funcionamento intra e interpessoal, mais rigidificado em padr&otilde;es desadataptivos, os coloca recorrentemente em ciclos interpessoais improdutivos e insatisfat&oacute;rios.Estes pacientes tendem a ser grandes desafios para n&oacute;s terapeutas, j&aacute; que muitas vezes despertam em n&oacute;s as mesmas reac&ccedil; [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Ao longo do meu percurso profissional, tenho tido a oportunidade, e eu diria que o privil&eacute;gio, de trabalhar com pacientes com dificuldades mais estruturais, em que o seu funcionamento intra e interpessoal, mais rigidificado em padr&otilde;es desadataptivos, os coloca recorrentemente em ciclos interpessoais improdutivos e insatisfat&oacute;rios.<br /><br />Estes pacientes tendem a ser grandes desafios para n&oacute;s terapeutas, j&aacute; que muitas vezes despertam em n&oacute;s as mesmas reac&ccedil;&otilde;es adversas que despertam nos outros l&aacute; fora, e das quais se queixam, sem se aperceberem do seu contributo para elas.<br /><br />Estes pacientes precisam nalguma altura do processo terap&ecirc;utico perceber como funcionam e como esse funcionamento lhes tr&aacute;s problemas, mas o processo de os ajudar a perceb&ecirc;-lo precisa ser muito cauteloso, precisamos dar-lhes tempo e espa&ccedil;o, e precisamos pelo caminho gerir as&nbsp; nossas pr&oacute;prias frustra&ccedil;&otilde;es e as nossas pr&oacute;prias reac&ccedil;&otilde;es mais adversas aos comportamentos que eles nos dirigem.<br /><br />O trabalho terap&ecirc;utico com estes pacientes &eacute; de facto muito exigente, mas pode tamb&eacute;m ser muito gratificante, se conseguirmos usar as reac&ccedil;&otilde;es contra-transferenciais que eles nos provocam em benef&iacute;cio do processo terap&ecirc;utico e n&atilde;o contra ele.<br /><br />&nbsp;A exig&ecirc;ncia do trabalho com estes pacientes reside em v&aacute;rios factores:<br /><ul><li><span>Em primeiro lugar, precisamos estar sempre muito atentos a n&oacute;s mesmos, &agrave;s nossas reac&ccedil;&otilde;es contra-transferenciais ao que eles colocam em n&oacute;s e &agrave; forma como se relacionam connosco. &Eacute; importante termos o cuidado de nos questionarmos &ldquo;onde e porque &eacute; que este paciente est&aacute; a mexer comigo?&rdquo; e percebermos as nossas potenciais contribui&ccedil;&otilde;es para o problema.</span></li><li><span>Depois &eacute; importante tamb&eacute;m questionarmo-nos, ainda interiormente, &ldquo;qual ser&aacute; a motiva&ccedil;&atilde;o mais profunda, ou a necessidade mais profunda deste paciente, por detr&aacute;s desta forma mais agressiva, ou desligada, ou provocadora de se relacionar comigo?&rdquo;. No fundo &eacute; lembrarmo-nos que o funcionamento dos nossos pacientes tem uma hist&oacute;ria, algures no seu crescimento eles precisaram desenvolver determinadas estrat&eacute;gias para se protegerem e lidarem com os contextos em que estavam inseridos, e estas estrat&eacute;gias generalizaram-se e rigidificaram-se. N&oacute;s terapeutas precisamos ter a disponibilidade, e &agrave;s vezes o sangue frio, de antes de reagirmos ao paciente no que poderia ser um acting out da nossa parte, semelhante &agrave;s reac&ccedil;&otilde;es que eles est&atilde;o habituados a receber l&aacute; fora e que s&oacute; os fazem confirmar ainda mais as expectativas que j&aacute; t&ecirc;m que v&atilde;o ser rejeitados, criticados ou culpabilizados, respirarmos fundo e procurarmos perceber &ldquo;o que &eacute; que ele precisa no fundo receber de mim, mas que n&atilde;o sabe ou n&atilde;o consegue pedir, e actua desta forma que sem querer ainda me afasta mais de lho conseguir dar?&rdquo;.</span></li><li><span>E por &uacute;ltimo, e igualmente dif&iacute;cil, &eacute; importante podermos, de uma forma muito cuidadosa, evitando ao m&aacute;ximo ser cr&iacute;tico ou culpabilizar o paciente, devolver como nos sentimos e explorar o que &eacute; que est&aacute; a acontecer ali ou, com pacientes que precisem mais da nossa ajuda a desvendar o seu pr&oacute;prio interior, partilhar, sempre como hip&oacute;teses e nunca como certezas, as reflex&otilde;es que n&oacute;s pr&oacute;prios fizemos do que nos parece ter contribu&iacute;do, ou estar a contribuir, para o problema.</span></li></ul><br /><span>Adicionalmente, no trabalho com estes pacientes &eacute; essencial fazermos supervis&atilde;o com terapeutas mais experientes e que tenham a capacidade de nos conter e nos acompanhar nas nossas pr&oacute;prias dificuldades e frustra&ccedil;&otilde;es, para que a experi&ecirc;ncia seja o menos dolorosa e o mais gratificante poss&iacute;vel.</span><br /><br />Estes pacientes precisam imenso de n&oacute;s e do nosso investimento, que possamos n&atilde;o desistir deles e sim melhorarmos a nossa capacidade de os acompanhar.<br /><br /><em>(Post original de 28/09/2014)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Aprender a usar a relação]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/aprender-a-usar-a-relacao]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/aprender-a-usar-a-relacao#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 18:26:50 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/aprender-a-usar-a-relacao</guid><description><![CDATA[(ou o impacto do trabalho do Jeremy Safran em n&oacute;s)  Felizmente tive o privil&eacute;gio de, ainda enquanto estudante, me fazer acompanhar de professores e terapeutas que me introduziram desde cedo a refer&ecirc;ncias marcantes da comunidade psicoterap&ecirc;utica, que influenciaram imensamente o meu crescimento enquanto cl&iacute;nica e o trabalho que ainda hoje fa&ccedil;o com os meus pacientes. O Jeremy Safran foi uma destas primeiras refer&ecirc;ncias; com ele aprendi a ter particular  [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">(ou o impacto do trabalho do Jeremy Safran em n&oacute;s)<br /><br />  <br /><em>Felizmente tive o privil&eacute;gio de, ainda enquanto estudante, me fazer acompanhar de professores e terapeutas que me introduziram desde cedo a refer&ecirc;ncias marcantes da comunidade psicoterap&ecirc;utica, que influenciaram imensamente o meu crescimento enquanto cl&iacute;nica e o trabalho que ainda hoje fa&ccedil;o com os meus pacientes. O Jeremy Safran foi uma destas primeiras refer&ecirc;ncias; com ele aprendi a ter particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave; rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, reconhecer impasses e rupturas na rela&ccedil;&atilde;o que estejam a dificultar o andamento do processo, e n&atilde;o ter medo de, de uma forma cuidada e respeitosa, partilhar com o paciente aquilo que eu sinto estar a acontecer na rela&ccedil;&atilde;o, no paciente e/ou em mim pr&oacute;pria.</em><br /><br />Joana Fojo Ferreira<br /><br /><br /><em>Ao longo da forma&ccedil;&atilde;o de um psic&oacute;logo, uma das express&otilde;es mais ouvidas &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, contudo at&eacute; conhecer o trabalho de Jeremy Safran, esta express&atilde;o para mim, n&atilde;o passava de um conceito vago, dif&iacute;cil de operacionalizar e sobretudo impl&iacute;cito. Atrav&eacute;s da leitura das suas obras, consegui perceber que a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica n&atilde;o &eacute; somente algo que est&aacute; l&aacute; em pano de fundo ou impl&iacute;cito, mas um ingrediente essencial e que deve ser explicitado. Se por um lado, esta ideia me permitiu estar mais &agrave; vontade em terapia, por implicar mais espontaneidade e uma maior responsividade ao que est&aacute; a acontecer no momento, por outro implicou desafiar-me como pessoa porque implicou estar em contacto com as minhas pr&oacute;prias emo&ccedil;&otilde;es.</em><br /><br />Andreia Santos<br /><br /><strong>Aspectos centrais do trabalho do Jeremy Safran</strong><br /><br />O foco principal da investiga&ccedil;&atilde;o e trabalho cl&iacute;nico do Safran &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, particularmente a alian&ccedil;a terap&ecirc;utica. O ponto de viragem que o Safran introduziu foi aproveitar a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica n&atilde;o s&oacute; para compreender e conceptualizar a experi&ecirc;ncia do paciente, mas muito para intervir com o paciente, devolvendo-lhe e clarificando o que est&aacute; a acontecer no processo ou na rela&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Trabalhar a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, para o Safran, n&atilde;o &eacute; meramente confrontar o paciente com o seu pr&oacute;prio funcionamento, mas sim o terapeuta implicar-se, ou seja, perceber o que &eacute; que &eacute; seu e o que &eacute; que &eacute; do paciente e/ou da rela&ccedil;&atilde;o dos dois, e comunicar isto ao paciente de uma forma cuidadosa e validante. &Eacute; aqui que entra o conceito de metacomunica&ccedil;&atilde;o, tornar o impl&iacute;cito expl&iacute;cito, trazer a rela&ccedil;&atilde;o e o processo para o foco do trabalho terap&ecirc;utico.<br /><br />Com que intuito?<br />Frequentemente a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica reflecte o funcionamento interpessoal do paciente l&aacute; fora, a forma como reage aos outros e o tipo de reac&ccedil;&otilde;es que estimula nos outros tamb&eacute;m. Explicitar estes padr&otilde;es favorece a tomada de consci&ecirc;ncia dos mesmos. Por outro lado, explorar e compreender estes padr&otilde;es no seio de uma rela&ccedil;&atilde;o segura, possibilita ensaiar formas diferentes de se relacionar.<br /><br />Como a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica &eacute; um encontro entre duas pessoas, com expectativas e realidades interpessoais diferentes, a exist&ecirc;ncia de rupturas/impasses/estranhezas na alian&ccedil;a &eacute; praticamente inevit&aacute;vel. O papel do terapeuta n&atilde;o &eacute; impedi-las, mas sim repar&aacute;-las. &Eacute; neste sentido que o Safran reflecte e esquematiza diferentes tipos de ruptura e formas de intervir nelas no sentido de as resolver.<br /><br />Muitas vezes assustamo-nos com a perspectiva de sair do lugar do especialista para algu&eacute;m que de facto se est&aacute; a relacionar com o outro, em que passamos mesmo a falar de n&oacute;s, com o bom e o mau que isso acarreta. &Eacute; aqui que o Safran tem o poder de nos tranquilizar, al&eacute;m de suscitar vontade de nos implicarmos mais e mais profundamente nos processos terap&ecirc;uticos. Nestes dois aspectos ele &eacute; absolutamente inspirador.<br /><br /><em>(Post original de 23/05/2014, em co-autoria com a Andreia Santos)</em><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que eu achava que deveria ser a terapia e não sabia que existia]]></title><link><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/o-que-eu-achava-que-deveria-ser-a-terapia-e-nao-sabia-que-existia]]></link><comments><![CDATA[https://www.joanafojoferreira.com/blog/o-que-eu-achava-que-deveria-ser-a-terapia-e-nao-sabia-que-existia#comments]]></comments><pubDate>Wed, 26 May 2021 18:24:22 GMT</pubDate><category><![CDATA[Reflexoes para psicologos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.joanafojoferreira.com/blog/o-que-eu-achava-que-deveria-ser-a-terapia-e-nao-sabia-que-existia</guid><description><![CDATA[(ou o impacto do trabalho da Diana Fosha em mim)Dos momentos mais marcantes no meu percurso profissional, enquanto aprendiz, foi ter tido o privil&eacute;gio de estar num Workshop da Diana Fosha em Floren&ccedil;a, em 2010, na altura sem saber nada sobre ela, e sair do Workshop a dizer &ldquo;Isto &eacute; o que eu achava que deveria ser a terapia e n&atilde;o sabia que existia&rdquo;. De facto, depois de um Workshop em que todos (e incluo grandes refer&ecirc;ncias da comunidade psicoterap&ecirc [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">(ou o impacto do trabalho da Diana Fosha em mim)<br /><br /><br />Dos momentos mais marcantes no meu percurso profissional, enquanto aprendiz, foi ter tido o privil&eacute;gio de estar num Workshop da Diana Fosha em Floren&ccedil;a, em 2010, na altura sem saber nada sobre ela, e sair do Workshop a dizer &ldquo;Isto &eacute; o que eu achava que deveria ser a terapia e n&atilde;o sabia que existia&rdquo;. De facto, depois de um Workshop em que todos (e incluo grandes refer&ecirc;ncias da comunidade psicoterap&ecirc;utica internacional) chor&aacute;vamos profundamente emocionados com os v&iacute;deos das sess&otilde;es dela, percebi que encontrei na Diana Fosha aquilo que implicitamente procurava, e que tamb&eacute;m s&oacute; descobri que procurava quando o encontrei nela.<br /><br /><br /><strong>Como &eacute; que &eacute; a Diana Fosha em terapia?</strong><br /><strong>O que &eacute; que &eacute; t&atilde;o emocionante e profundamente tocante no trabalho dela?</strong><br /><br />N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil explicit&aacute;-lo em palavras, &eacute; algo que se vive e que se sente, mais do que se explica. E de facto viver e sentir, experienciar, &eacute; uma das pedras basilares, se n&atilde;o a basilar por excel&ecirc;ncia, do trabalho dela. Todo o trabalho terap&ecirc;utico que faz com os pacientes &eacute; ancorado no facilitar que acedam e experienciem as emo&ccedil;&otilde;es e os afectos, agrad&aacute;veis e desagrad&aacute;veis, que constituem a sua viv&ecirc;ncia psicol&oacute;gica mais aut&ecirc;ntica e profunda. E ela est&aacute; sempre com eles a ajud&aacute;-los a aprofundar a experi&ecirc;ncia, progressivamente mais e mais em contacto consigo mesmos.<br /><br />Este experienciar e explorar as profundezas do mundo psicol&oacute;gico dos pacientes, &eacute; sustentado numa rela&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a com o terapeuta, algu&eacute;m profundamente sintonizado com o paciente, atento, dedicado, verdadeiramente presente. A presen&ccedil;a e disponibilidade da Diana Fosha para os seus pacientes &eacute; do mais bonito que j&aacute; vi, verdadeiramente impressionante, e que nos toca profundamente tamb&eacute;m a n&oacute;s, s&oacute; de ver.<br />Esta liga&ccedil;&atilde;o profunda, de um respeito e carinho imensos, diferente do que o paciente est&aacute; habituado a receber l&aacute; fora, &eacute; o que lhe permite baixar as defesas e permitir-se experienciar e partilhar o mais &iacute;ntimo e mais aut&ecirc;ntico de si. E a sensa&ccedil;&atilde;o de acompanhamento (em contraste com a solid&atilde;o habitual) que o respeito e presen&ccedil;a validante do terapeuta imprimem, permitem-lhe transformar ainda a imagem de si e a viv&ecirc;ncia de si, criando um potencial reparador e transformador fenomenal.<br /><br />A altern&acirc;ncia entre experienciar por um lado, e reflectir sobre a experi&ecirc;ncia por outro, para a aprofundar ainda mais e dar-lhe um sentido mais coerente e apaziguador, no seio de uma liga&ccedil;&atilde;o profunda e securizante com o terapeuta, &eacute; o que torna o processo terap&ecirc;utico imensamente rico e transformador, e faz do trabalho da Diana Fosha algo imperd&iacute;vel e absolutamente inspirador.<br /><br /><em>(Post original de 12/03/2014)</em><br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>